CÁLICE!

Uma data para nunca ser esquecida (para que não volte nunca). Em 31 de março de 1964, um conjunto de eventos culminou no golpe militar que submeteu um regime militar (sic) no governo do Brasil. Não vivi essa época, meus pais nasceram nessa época e meu avós viveram essa época. Pelo que já estudei sobre, que nunca mais isso venha a acontecer. Na minha 8º série (há muito tempo, hein?) fiz um trabalho sobre as músicas de protesto da época. Até hoje me lembro da música que escolhi: Cálice – Chico Buarque e Milton Nascimento (composição: Chico Buarque e Gilberto Gil). Vejam o vídeo e a letra da música e entendam o contexto a qual está inserida:

Link do clipe da música que eu não consegui colocar aqui (????)

http://www.youtube.com/watch?v=vWxxVt_Tbd8

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…(2x)

Como beber
Dessa bebida amarga
Tragar a dor
Engolir a labuta
Mesmo calada a boca
Resta o peito
Silêncio na cidade
Não se escuta
De que me vale
Ser filho da santa
Melhor seria
Ser filho da outra
Outra realidade
Menos morta
Tanta mentira
Tanta força bruta…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

Como é difícil
Acordar calado
Se na calada da noite
Eu me dano
Quero lançar
Um grito desumano
Que é uma maneira
De ser escutado
Esse silêncio todo
Me atordoa
Atordoado
Eu permaneço atento
Na arquibancada
Prá a qualquer momento
Ver emergir
O monstro da lagoa…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

De muito gorda
A porca já não anda
(Cálice!)
De muito usada
A faca já não corta
Como é difícil
Pai, abrir a porta
(Cálice!)
Essa palavra
Presa na garganta
Esse pileque
Homérico no mundo
De que adianta
Ter boa vontade
Mesmo calado o peito
Resta a cuca
Dos bêbados
Do centro da cidade…

Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
Pai! Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue…

Talvez o mundo
Não seja pequeno
(Cale-se!)
Nem seja a vida
Um fato consumado
(Cale-se!)
Quero inventar
O meu próprio pecado
(Cale-se!)
Quero morrer
Do meu próprio veneno
(Pai! Cale-se!)
Quero perder de vez
Tua cabeça
(Cale-se!)
Minha cabeça
Perder teu juízo
(Cale-se!)
Quero cheirar fumaça
De óleo diesel
(Cale-se!)
Me embriagar
Até que alguém me esqueça
(Cale-se!)

 

Que a juventude de hoje, mesmo não tendo vivido essa época, saiba reconhecer a própria história do país.

 

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Sobre Maick Costa

Stay hungry, stay foolish

Publicado em 31/03/2011, em Sem categoria e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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