PSD, DEM e a Ditadura Militar

A briga entre o neófito PSD e o DEM, desde o surgimento do novo partido, está tomando conta dos principais jornais e blogs políticos do País.

Toda a discussão se dá pelo fato do PSD, na sua maioria, ser formado por dissidentes do DEM, o que estaria causando a ira da cúpula do partido, uma vez que este estaria se enfraquecendo com a perda de tantos nomes.

Mas, com todo o respeito, qual a diferença entre os dois partidos na prática? Como já falei em outra postagem, o neófito é homônimo de um partido que, juntamente com a Frente Liberal (que virou PFL, que hoje é DEM) apoiou a Aliança Renovadora Nacional (ARENA), sustentáculo da ditadura militar no pós-AI-2, quando foi instituído o bipartidarismo no país.

O DEM, por sinal, quando conhecido por outro nome, foi um dos, se não o principal, partido de apoio à ditadura militar. O seu atual presidente, Senador José Agripino, foi prefeito de Natal em 1979, em plena Ditadura Militar, indicado por Lavoisier Maia, seu primo. Vale salientar que Lavoisier foi nomeado governador biônico do estado do Rio Grande do Norte pela ditadura militar, apoiado por Tarcísio Maia, pai de Agripino e correligionário de Lavoisier.

Tarcísio Maia, pai de José Agripino, também já foi governador biônico do Rio Grande do Norte, sendo indicado pelo General Golbery do Couto e Silva, com o apoio decisivo de Aluízio Alves. A escolha se deu em 1974, em pleno período conhecido como “Anos de Chumbo” do regime militar.

Nesta época, milhares de brasileiros foram mortos e torturados pela ditadura. Dentre eles, muitos norte-riograndenses como Luiz Maranhão e Emmanuel Bezerra dos Santos.

Não se pode negar que José Agripino surgiu na política potiguar graças a Ditadura Militar, tão pouco que o partido que lidera foi sustentáculo deste regime. O senador pode até renegá-la, mas o seu passado está registrado na infame história política do País.

PSD, DEM e a Ditadura Militar… Será que realmente queremos ser representados por esses grupos?

Indico o artigo de Antônio Capistrano: José Agripino e a Ditadura Militar.

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Sobre Renato Pontes

É estudante de Direito na Universidade Potiguar – UnP, Diretor Executivo do Centro Acadêmico Seabra Fagundes e Militante em Movimentos Sociais e Estudantis. Paraense de Belém do Pará, hoje mora na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, onde milita em movimentos como o #ForaMicarla, que pede o Impeachment da Prefeita por indícios de improbidade administrativa, e o Acorda UnP!, com vistas à melhoria no ensino, pesquisa, extensão, esporte, cultura e direitos dentro da Universidade. É defensor de maiores e melhores investimentos e ensino político na educação de base.

Publicado em 09/10/2011, em Política e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Seria interessante algum político reconhecer seus atos errados na ditadura (to sonhando, eu sei) e se impor com novas ideologias, novos comportamentos mostrando para a população que aquele de outrora, não mais hoje existe. Porque nós temos a capacidade de mudar ao longo de nossas vidas.

  2. Gilton Paiva

    Renato, o mundo dá voltas, algumas pessoas mudam pra melhor, e outras pra pior! As águas de março já não são as mesmas, as lutas já não são as mesmas e os atores também não são mais os mesmos!

    O cenário mudou, os partidos foram renovados em suas bases e bandeiras de luta!
    Quando eu falo disso, não falo apenas do Democratas, falo também do PT, PSDB, PDT, PTB, PHS, e muitos outros, que, a exemplo do PSOL e PSD, foram originados a partir de uma divergência de idéias e, pq não dizer, de interesses políticos de determinados grupos.

    Contra fatos não há argumentos, mas contar apenas um lado da história não é fazer justiça!
    Ao mesmo tempo em que o DEM, que veio do PFL, que veio da ARENA, ainda possui pessoas que apoiavam a ditadura, o PT veio de um grupo, que no mesmo período da ditadura, era formado por terroristas e “guerrilheiros” e que atualmente comungam do mesmo ideal de outros ditadores latino americanos!

    No entanto, vale ressaltar que no meio destes 2 grupos existem pessoas que, mesmo naquela época, mesmo participando de atos ditatoriais ou terroristas, faziam pq acreditavam que aquilo era o melhor a ser feito ou apenas cumpriam ordens! E atualmente dão provas de discernimento Político, sem contar as pessoas que sequer vivenciaram o período e atualmente ingressaram nos quadros partidários (seja qual for o partido) com o intuito de querer o que é (e acredita ser) o melhor para o BRASIL!

    Mesmo compondo um quadro partidário, eu sou totalmente contra a partidarização da máquina pública, da transformação de secretarias e gabinetes em verdadeiros currais eleitoreiros. Sou defensor da ideia de que aqueles que estão no exercício da função pública, seja por nomeação, seja por mérito de concurso, NÃO estejam lá para servir ao Governante e seus cupinchas, mas que deverão ser eternos servidores do POVO, zelando pela qualidade da prestação do serviço público e pela garantia do acesso a este serviço e incansáveis na vigilância das contas públicas!

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