Divisão do Pará: A quem interessa?


No dia 11 de Dezembro de 2011, todos os Paraenses irão às urnas para decidir sobre a possível divisão do estado em 3: Tapajós, Carajás e o Pará remanescente, o menor dos 3. Mas, na prática, a quem interessa esta divisão?

Particularmente, sou contrário à divisão do Pará, por entender que criaria um dispêndio muito alto para a União e a administração desses dois novos estados ficaria à cargo das pessoas com grandes recursos da região, como infelizmente funciona a política em nosso país.

Acontece que, o Sul do Pará, onde seria localizado o novo estado do Carajás, é uma região marcada por conflitos agrários e pela morte de lideranças que lutam pelo direito à terra, pela reforma agrária ou por qualquer outra luta que contrarie o interesse dos grandes proprietários de terra da região, à exemplo da Ir. Dorathy Stang, assassinada em 2005.

Entendo que a região precisa URGENTEMENTE de políticas públicas voltadas à divisão de terras, não podemos, em hipótese alguma, permitir que a administração pública da região fique nas mãos desses grandes proprietários. No entanto, este momento de discussão deve servir para refletirmos sobre as reais necessidades da região.

Ademais, de acordo com o Prof. Cloves Barbosa, o interesse pela divisão “É uma fração da classe composta pelas pessoas que exercitam o agronegócio. A razão para isto é que as exportações brasileiras vêm enfrentando uma série de restrições, principalmente da região do euro, que é composta de boa parte de pessoas que são sensíveis às questões ecológicas e fitossanitárias”. E explica: “Estes agentes poderão dizer que no estado de Carajás não existem mais remanescentes de floresta nativa, e que a região é de pastagens e de extrativismo mineral. Trata-se, portanto, de um negócio puramente burguês”

Acredito que esta foi uma jogada dos grandes proprietários de terra do nosso estado e de outros interessados pelo Brasil a fora e, se sair do Papel, fará com que todos tenhamos que repensar e reforçar a luta por igualdades no campo.

DIGA NÃO À DIVISÃO DO ESTADO DO PARÁ, DIGA SIM PARA MAIS SEGURANÇA E REFORMA AGRÁRIA NO SUL E SUDESTE DO ESTADO! NÃO AOS ASSASSINOS DO CAMPO!

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Sobre Renato Pontes

É estudante de Direito na Universidade Potiguar – UnP, Diretor Executivo do Centro Acadêmico Seabra Fagundes e Militante em Movimentos Sociais e Estudantis. Paraense de Belém do Pará, hoje mora na cidade do Natal, Rio Grande do Norte, onde milita em movimentos como o #ForaMicarla, que pede o Impeachment da Prefeita por indícios de improbidade administrativa, e o Acorda UnP!, com vistas à melhoria no ensino, pesquisa, extensão, esporte, cultura e direitos dentro da Universidade. É defensor de maiores e melhores investimentos e ensino político na educação de base.

Publicado em 20/10/2011, em Política e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. Que as regiões necessitam de maior atenção do governo estadual do Pará, não tenho a menor dúvida disso. A minha poição contrária é justamente no “rio” de dinheiro que será essa divisão, criação e manutenção dos novos estados. Só para fazer o plebiscito a cifra já é alta demais. Acredito que devam ter novas políticas públicas exclusivas para essas regiões.

  2. Antonio Carlos

    Acredito que a divisão não é a solução, ela só atenderá interesses da elite e poiticos das regiões, subtrriando 83% do territorio paraense, isso é inadmisivel.

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